Em entrevista exclusiva para Colabor@, Pedro Pernias Pecco, professor da Universidade de Alicante, coordenador de tecnologia do projeto Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes e do Portal Universia da Espanha, conta sua experiência com mídias interativas e educação a distância.

Entrevista com Pedro Pernías Peco, da Universidade de Alicante, Espanha.

"Se não está na web, não existe!"


1.Como surgiu e como foi colocada em prática a idéia da criação de uma Pró-Reitoria específica para Novas Tecnologias na Universidade de Alicante?

A Vice-Reitoria de Tecnologias da Universidade de Alicante foi a primeira criada na Espanha. A iniciativa partiu do próprio reitor da Universidade, que precisou tomar uma série de decisões sobre como transformar uma universidade pequena, regional, em algo diferente. Depois de termos feito certas análises internas para saber quais eram os nossos pontos fortes, constatamos que um dos principais pontos a partir dos quais poderíamos converter recursos, tempo, conhecimento e esforços das pessoas em ações que tivessem visibilidade, era no âmbito da tecnologia. Então decidimos criar esta Vice-Reitoria para tratar das novas tecnologias e montar uma estrutura adicional que para permitir a produção de projetos inovadores. Com isso começamos a trabalhar coordenando esforços de unidades que já existiam dentro da universidade e criando novas unidades como o laboratório de multimídia, o Campus Virtual e a Biblioteca Virtual. Um dos mais importantes projetos desenvolvidos por nós foi o projeto da web institucional.
Um outro fato muito importante foi a criação de uma comissão de novas tecnologias dentro da universidade. Essa comissão consistia em um comitê aberto onde qualquer membro da comunidade acadêmica interessado poderia participar e trabalhar pelas novas tecnologias. Nesse comitê podia-se discutir todos os temas com que estávamos trabalhando, como o serviço de publicações digitais, a web institucional, a digitalização das bibliotecas, o campus virtual. Como se tratava de um comitê aberto e voluntário, havia uma certa rotatividade de pessoal. Ao final tínhamos cerca de 60 pessoas envolvidas, não nominalmente apenas, mas realmente contribuindo com idéias e trabalho.
Os projetos concebidos pela Vice-Reitoria eram discutidas também no âmbito deste comitê, que embora não fosse representativo, tinha o apoio de diversas forças da universidade. Assim, quando a decisão era tomada sobre um determinado projeto, havia apoio para sua implementação, tanto por parte da administração quanto por parte das pessoas e unidades envolvidas de fato com novas tecnologias, justamente por não ter sido imposto pela reitoria, mas construído em conjunto. A participação direta, constante e ativa do próprio reitor também foi um dos principais fatores do sucesso dessa iniciativa.


.