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Resumo
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Revisitando
um pouco da história da informática educativa no Brasil
Para um entendimento de como a informática [1]
tem aportado no campo educacional no Brasil, é necessária
uma análise das principais tendências, ou seja, os momentos
ou as ondas em que este campo tecnológico tem estado numa aproximação
com os ambientes educacionais, ora exercendo um fascínio e ora
um certo temor. Podemos agrupar estas situações em cinco
momentos ou ondas. Para Simão Neto (2000a), "um balanço
crítico dessas tendências possibilita um olhar para o futuro
ao mesmo tempo em que abre espaço para uma nova trajetória
frente o uso dos recursos tecnológicos em educação".
A primeira onda é caracterizada pelo contato da escola com a informática
por meio da informatização de seu setor administrativo.
Naquele momento, nem todos os professores da escola tinham acesso ao computador,
muito menos os alunos. Os alunos nem chegavam perto dos computadores.
O professor, mesmo tendo acesso, passou a usá-lo como recurso que
facilitaria sua vida, ou seja, começou a preparar atividades, principalmente
as provas. Com o uso do computador restrito ao professor, a postura tradicional
da escola e do professor foi reforçada, pois a proposta foi centrada
no professor e no ensino, não existindo propriamente uma informática
educativa de duas mãos.
Nesse contexto, novas propostas surgiam, como a segunda onda, voltada
a dotar os alunos de conhecimentos de programação, principalmente,
no sistema LOGO. Mesmo com a possibilidade de o aluno experimentar, observar
e até superar erros e deficiências, essa proposta privilegiou
um pensamento linear e seqüenciado, que não atendia aos estudos
ou pesquisas sobre práticas pedagógicas voltadas para a
formação integral do homem, era apenas uma proposta desvinculada
do estudo das artes e das ciências humanas.
Dizia Candau (1991), que desde os anos 60 no Brasil, as propostas de tecnologias
educacionais ocorreram de modo dissociado da educação e
de seus problemas mais emergentes. Por exemplo, limitação
pedagógica gestada durante a onda de fascínio que a proposta
exerceu, passou despercebida dos educadores. O mercado mais atento às
necessidades do aluno e buscando formas para melhorar a produção
e os lucros, trouxe uma nova proposta, conhecida como terceira onda, a
informática básica. Essa tendência popularizou o uso
da informática. Sendo comum ouvir a frase: "O analfabeto do
futuro será aquele que não souber utilizar computador."
Como o professor e o estudante que não faz uso do computador ficaria
na sociedade do conhecimento?
A escola não encontrou outra saída senão a de equipar
suas dependências com laboratórios de informática.
Alunos, pais e professores passaram a acreditar nessa necessidade. Essa
impensada política de criação de laboratórios
nas escolas passou a beneficiar a indústria de computadores. Mas
foi a própria escola que começou a sentir que a proposta
não era tão fantástica assim, diante do impasse que
ela enfrentava: como repetir os cursos básicos de informática,
em cada um dos durante onze anos de escolarização? Como
melhor utilizar as salas equipadas com computadores que custaram grandes
investimentos financeiros?
Além da repetição outro agravante, os alunos apresentavam
uma posição passiva frente à máquina e ao
professor que ensinava. O professor era o instrutor, apenas indicava comandos
a serem seguidos. Um processo linear, rotineiro e cansativo. A tendência
da escola tradicional, novamente, vencia os recursos tecnológicos,
e aí surgia a resposta das empresas ligadas à educação,
apresentando o software educativo.
Essa quarta onda, procurava reativar os laboratórios sub-utilizados
pelas escolas, ofertando programas prontos para que os/as professores/as
os/as utilizassem com seus/as alunos/as, pois eles/as preferiam ir para
o laboratório de informática em vez de ficar na sala de
aula. A proposta do software educativo procurava inovar, invertendo o
papel do/a professor/a. Ele/a não levava mais seu/sua aluno/a para
assistir aula de informática básica no laboratório,
mas ele/a próprio/a organizava sua aula no laboratório,
fazendo uso de um software educativo. Esse material não é
milagroso, é um recurso de que se pode fazer uso, mas o/a professor/a
precisa saber selecionar e usar. Para isso, o processo de formação
do/a professor/a ficou-lhe "devendo" os subsídios necessários
para uma ação / reflexão / ação da
prática pedagógica com novas tecnologias.
Assim, pelos estudos e pesquisas, muitos educadores questionam o uso de
software educativo e seus resultados sem uma proposta pedagógica.
As escolas questionam os resultados, principalmente em relação
aos investimentos, agora também nos programas educativos, além
dos laboratórios.
Uma quinta onda está procurando auxiliar a escola e seus profissionais
a usarem as novas tecnologias atendendo as mudanças das ações
pedagógicas no âmbito da escola, a internet. Com a utilização
adequada da internet, aparentemente tem-se o acesso às informações
necessárias à construção de conhecimento num
processo mediado pelo professor, ou seja, procura-se dar conta de outro
sintoma do mundo atual, o de viver a sociedade do conhecimento ou, como
coloca Peter Senge (2001), a "sociedade aprendente" e o de procurar
superar a aparente simplificação das tarefas colocadas pela
pós-modernidade, buscando a indissociabilidade entre teoria e prática.
Para alguns autores, as previsões geradas pela sociedade do conhecimento
no que diz respeito à velocidade de surgimento e renovação
dos saberes e savoir-faire são alarmantes. Segundo Levy (1999,
p.157), "pela primeira vez na história da humanidade, a maioria
das competências adquiridas por uma pessoa no começo do seu
percurso profissional serão absoletas no fim de sua carreira".
De Masi (1999, p.15) explicita que "o conhecimento que evidenciou-se
a partir da Segunda Guerra Mundial ainda não está difundido
e radicado, apesar dos novos tempos estarem aí sob os olhos de
todos".
Pela internet as informações podem ser acessadas, mas fica
evidente que não basta buscar a informação é
preciso questioná-la para que se possa fazer ciência.
Nessa situação, os espaços de educação
presencial, semi-presencial e a distância, não podem prescindir
de um professor que faça uso do educar pela pesquisa, caso contrário,
a proposta de uso desse recurso como fonte de informações
para que o conhecimento seja construído na relação
professor/aluno/tecnologia / pesquisa, também estará fadado
ao fracasso.
Para Lévy (1999, p. 158), "nesse contexto o professor é
incentivado a tornar-se um animador da inteligência coletiva de
seus grupos de alunos em vez de um fornecedor direto de conhecimentos."
A história da informática no Brasil estagnou por aí,
ou será que estaria para surgir uma nova onda? Qual seria?
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