Resumo
1. Introdução

2. Método
Participantes
Instrumento e Procedimentos
4. Resultados
5. Discussão e conclusões
6. Referências


1. Introdução

O uso da informática e da educação à distância tem ocupado um espaço cada vez maior na área da educação, especialmente nas universidades, exigindo uma grande adaptação e uma atualização constante por parte dos professores. A Universidade, tendo como finalidade ser produtora de conhecimento e como compromisso atender às demandas sociais, através de ensino e pesquisa, necessita conhecer como está se dando a utilização de novos recursos pelos professores e suas percepções quanto a vantagens e desvantagens dessas mudanças, para que assim possa desenvolver capacidades para lidar com os novos desafios. Kawamura (1990) acredita que a universidade seria o locus privilegiado para a formação de profissionais em condições de acompanhar a produção científica e tecnológica mais avançada e de realizar pesquisas e adaptações locais dessa produção.

Atualmente, embora exista uma grande tendência ao uso do computador na educação (Demo, 1993; Fagundes, 1993; Jonassen, 1996; Moraes, 1997; Pacheco, 1997), em geral tem sido utilizada uma abordagem que usa o computador, na maior parte das vezes, exclusivamente como uma máquina de ensinar, não representando grande avanço aos métodos tradicionais e convencionais de ensino. A aprendizagem, que resulta do uso desta abordagem, privilegia a mera absorção de informação, freqüentemente pela repetição e memorização, ficando o aluno na posição predominante passiva de mero receptáculo de informações, sem um papel mais ativo na construção de sua aprendizagem. Grings e Vieira (1998) enfatizam que os benefícios da utilização de novas tecnologias no ensino se darão a partir de ambientes em que interações se constituam de forma cooperativa e construtiva, entendendo a aprendizagem como um processo de exploração e descoberta, e sendo dado ao aluno, nesse processo, o papel ativo de construtor de sua própria aprendizagem.

Belloni (1998) salienta que cabe à universidade investir na produção acadêmica de conhecimento novo e inovador, repensando aspectos teóricos e metodológicos, integrando efetivamente o ensino e a pesquisa. A inserção das tecnologias requer uma postura criativa, visto que se o recurso for utilizado de forma inadequada, sem uma crítica aos fundamentos de sua ação, poderá não alcançar os objetivos propostos. Afonso (1993) justifica a presença deste instrumento na escola ou universidade, referindo-se essencialmente, a razões de ordem social e pedagógica, isto é, o computador suscita uma concepção de modernidade, uma oportunidade para que a escola não fique isolada do contexto de evolução tecnológica que se vive.

Para Neto (1993), o professor não poderá ser apenas um transmissor ortodoxo do conhecimento, pois precisa-se considerar os recursos modernos da computação e a posição autodidata cada vez mais assumida pelos alunos. Assim, o papel do professor fica centrado na figura de um facilitador da aprendizagem, apontando para uma redefinição paradigmática do processo educacional. Para Belloni (1998) é função da educação formar cidadãos livres e autônomos, sujeitos do processo educacional: professores e estudantes identificados com seu novo papel de pesquisadores num mundo cada vez mais informacional e informatizado. Para ele, o fundamento de uma nova pedagogia tem de ser a pesquisa, como mecanismo central do processo de construção do conhecimento, do qual professores e alunos participem criativamente, redefinindo radicalmente os papéis e as relações entre eles e potencializando de modo inédito a construção coletiva do conhecimento. Segundo Belloni (1998), o professor tem uma função duplamente mediatizada: como produtor de mensagens inscritas em meios tecnológicos destinadas a estudantes à distância, e como usuário ativo, crítico e mediador entre esses meios e os alunos. Desta maneira, o professor está presente no processo de construção e elaboração de uma forma de atuação para com os seus alunos, e necessita para isso, internalizar as novas ferramentas no seu trabalho. Entretanto, "distorções" quanto ao uso da tecnologia podem ser verificadas. Segundo Neto (1993), professores mal formados, extremistas (fanáticos por computadores ou com medo deles) não encontrarão na tecnologia nenhum tipo de apoio para sua prática.

O papel do professor também é discutido por Lévy (1999), que afirma que a aprendizagem coletiva é o novo papel dos professores e sua competência deve deslocar-se no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento, centrando sua atividade no acompanhamento e na gestão das aprendizagens: o incitamento à troca dos saberes, a mediação relacional e simbólica, a pilotagem personalizada dos percursos de aprendizagem. Nogueira (1993) ressalta que o professor continua a ser um elo inteiramente fundamental e insubstituível no processo de ensino-aprendizagem e que tanto professores como alunos, devem fazer uma leitura crítica da base de conhecimento com a qual trabalham.

Nogueira (1993) destaca que a utilização das novas tecnologias não representa somente um avanço nos recursos educacionais, mas também um caminho para a mudança de paradigma educacional, ressaltando portanto, que esta questão é mais conceitual do que tecnológica. Mesmo que os recursos tecnológicos efetivamente disponíveis para o ensino não permitam um trabalho interativo, eles podem ser internalizados por professores e alunos como uma nova forma de pensar, organizar e recuperar um conteúdo. As relações entre o que é feito, os recursos computacionais e as possibilidades de simulação e representação propiciadas pelos novos recursos tecnológicos, precisam ser analisadas e explicitadas para que seja possível entender de que forma a presença desses recursos pode auxiliar na criação de ambientes que possibilitem a aprendizagem e em que aspectos e em que grau esses recursos alteram esse processo. Portanto, esse processo exige transformações radicais no campo da educação: será preciso reavaliar teorias e reinventar estratégias e práticas, de forma que os meios educacionais possam se adaptar às necessidades existentes, implementando medidas adequadas frente a esse processo (Belloni, 1998).

Neste processo várias estruturas serão alteradas, mas para Lévy (1999), a demanda de formação, no entanto, não deve apenas ter um crescimento quantitativo, há necessidade também de uma profunda mutação qualitativa no sentido de uma necessidade de diversificação e de personalização. O ponto principal aqui é a mudança qualitativa nos processos de aprendizagem. Essa mudança que está sendo percebida, com o uso da informática e da educação à distância, precisa romper com antigos paradigmas empiristas de ensino-aprendizagem, para que se possa, de acordo com Fagundes e Basso (1997) e Estrázulas (1997), através de diferentes tipos de interação, chegar à construção de um saber partilhado e à busca de inovações pedagógicas e profissionais. Uma crise de paradigmas, conforme Carvalho e Kaniski (2000), envolve mudanças conceituais, de visão de mundo e a insatisfação com os modelos vigentes. Essas mudanças são provocadas por questões internas - resultantes do esgotamento teórico e metodológico de determinado fenômeno - e por questões externas - representadas pelas alterações socioculturais, ocorridas em dado período, que não mais aceitam os modelos teóricos disponíveis. Para Green e Bigum (1995), a mudança cultural e epistemológica em termos de tecnologia e pedagogia requer novas compreensões da relação entre tecnologias e pedagogias, escolarização e cultura da mídia. Para estes autores, a sociedade ainda está começando a registrar a importância educacional e cultural da imagem como um novo princípio organizacional para as relações sociais e as subjetividades.

O contexto atual nos apresenta o que talvez seja um dos maiores desafios enfrentados pela humanidade, o de viver numa era de constantes inovações e descobertas científicas e tecnológicas. Lévy (1993) faz uma análise do futuro do pensamento, na era da informática, mostrando que a sociedade contemporânea está diante de "novas tecnologias intelectuais". Examinar, caracterizar essas mudanças e analisar seus impactos no processo de ensinar e aprender é fundamental para utilizar os recursos tecnológicos para criar ambientes de aprendizagem. Assim, a função dos educadores deve ser repensada e novas estratégias na formação desses profissionais devem ser previstas, criando nas universidades o ambiente para a formação de sujeitos críticos, dotados de autonomia de aprendizagem.

A qualificação faz parte integrante deste movimento contemporâneo. Kawamura (1990), há uma década atrás, já salientava a necessidade de qualificação para o trabalho diante das inovações tecnológicas, que passou a ter um caráter altamente dinâmico, no sentido de que a competência especializada para dado conjunto tecnológico torna-se obsoleta e inadequada para outro aparato tecnológico de uma forma muito rápida. Para Nogueira (1993), preparar melhor estudantes e professores é dar a eles habilidades para renovar continuamente a sua compreensão de um mundo em mudança. Para tanto, é preciso torná-los aptos a descobrir e sistematizar, por eles mesmos, os conhecimentos.

Diferentes pesquisas têm investigado a questão das novas tecnologias na educação. Inoue (1999) verificou o processo pelo qual os professores universitários chegaram a uma percepção positiva sobre instrução assistida por computador, para o ensino. Este estudo revelou que o conhecimento de instrução assistida por computador foi um fator determinante na percepção da utilidade deste recurso: quanto maior o nível de conhecimento de instrução assistida por computador mais positiva será a percepção sobre o mesmo. Esta descoberta pode ser uma indicação do clima favorável para o uso da tecnologia instrucional. Frente a constantes mudanças, uma maneira de responder às novas necessidades que se apresentam é a capacitação de professores e a formação de profissionais para essa realidade. Os resultados encontrados por Inoue (1999) se assemelham aos verificados por Ross, Hogaboam-Gray e Hannay (1999), que comprovaram que a confiança do professor em utilizar TI (Tecnologia da Informação) aumentou na proporção em que ele foi treinado em TI. Estes dados indicam a necessidade de uma capacitação contínua dos professores para que eles possam utilizar os recursos disponíveis de maneira mais adequada.

Collins (1996), numa pesquisa sobre os fatores intervenientes na aceitação dos computadores por parte de professores, apresenta um modelo denominado 3P. Este modelo é formado de três vetores que perfazem um campo de aceitação ou de não aceitação dos computadores na educação: a expectativa (payoff), o nível de problemas (problems) e o prazer de se envolver com a inovação (pleasure). Para Collins (1996), com a utilização da Internet na educação, houve uma redução dos valores negativos no nível de problemas, incrementando as experiências positivas e o vetor de expectativa positiva, levando a uma mudança positiva na relação dos 3P, e demonstrando que com o uso da rede, as escolas têm um futuro mais promissor na utilização da tecnologia.
Um outro aspecto que tem sido abordado nas pesquisas é quanto à utilização de novas tecnologias e a aprendizagem dos alunos. Stocks e Freddolino (2000) avaliaram os efeitos do aumento de oportunidades para interatividade em alunos de graduação e indicam que a incorporação da interação da Web tornou mais fácil a criação de um ambiente ativo de aprendizado para os alunos. Junior e Civiletti (2000), em pesquisa sobre a utilização das infotecnologias no processo de ensino-aprendizagem no ensino superior, constataram que 80,4% dos discentes e 75,6% dos docentes consideram que a utilização de novas tecnologias facilita o aprendizado, sendo que ambos têm uma opinião favorável sobre seu uso na educação, considerando-o uma necessidade fundamental.

Considerando que na Universidade do Vale do Rio dos Sinos estão sendo desenvolvidos projetos de capacitação docente com bases em mudanças conceituais e no uso de novas tecnologias, esta pesquisa teve como objetivo acompanhar este processo procurando conhecer melhor seu impacto junto aos professores e avaliar as percepções quanto à utilização de novas tecnologias em sala de aula.