Introdução

Equipe
Níveis
Metas
Projeto de pesquisa
Problema de pesquisa
Justificativa
Metodologia da Pesquisa

Nível Pedagógico
Processo de Intervenção
Instrumentos de pesquisa
Fases da Pesquisa

Nível Tecnológico
Construção das mídias
Avaliação processual das mídias
Resultados Preliminares do Processo
Depoimento dos Alunos envolvidos na pesquisa
Conclusões Preliminares

Marco Teórico
Paradigmas da ciência
Desafios da ciência para o século XXI
Sociedade do Conhecimento
Grande Encontro das Eras Oral, Escrita e Digital
Os quatro pilares para a aprendizagem
Visões para o século XXI
Paradigma Emergente
Prática pedagógica num paradigma emergente
Proposiçõe Relevantes em Ambientes Educativos
Foco
Professor
Aluno
Metodologia
Avaliação
Tecnologia Interativa
Paradigma Emergente baseado em Projetos

Aprendizagem Colaborativa (AC)
Introdução
Colaboração ou Cooperação?
Uma Proposta
Fazendo Aprendizagem Colaborativa (AC)
Planejamento para a sala de aula
Avaliação da Aprendizagem
O Ambiente de Sala de Aula
Grupos

Referências Bibliográficas
Créditos

Resultados Preliminares do Processo

Os resultados preliminares apresentados correspondem aos da primeira etapa do Projeto PACTO, englobando os Estudos 1 e 2 realizados em 1999 e 2000, respectivamente.

A análise dos dados e depoimentos colhidos junto ao professor e alunos permitiu reunir algumas contribuições que foram consideradas relevantes para o processo de ensino e aprendizagem, dos quais destacam-se:

As contribuições do Professor

De acordo com os depoimentos das entrevistas com o professor existe uma tendência de docentes que lecionam na universidade em todas as áreas do conhecimento, bem como na área tecnológica, de refletirem e reproduzirem a proposta pedagógica dos professores que atuaram durante suas formações, em sua maioria, conservadora e autoritária. Alguns professores mantêm a reprodução da ação docente de seus antigos professores, alguns se tornam autodidatas, outros superam as dificuldades buscando processos de formação continuada para aprimorar a docência.

O professor envolvido no Projeto PACTO buscou assessoria pedagógica no Mestrado em Educação. A disponibilidade para mudar e interesse em reconstruir sua prática pedagógica foi determinante para propor um processo pedagógico inovador em sala de aula. A mudança foi gradativa e a aprendizagem da nova postura foi se desenvolvendo no processo. Acredita-se que o preparo pedagógico recebido pelo professor tutor ao se envolver com o Projeto de pesquisa permitiu-lhe uma reflexão crítica sobre sua própria ação docente, que no momento inicial se restringia a oferecer aulas expositivas e provas escritas bimestrais. Esta reflexão levou o docente a se preparar melhor didaticamente, buscando leituras e orientações para modificar sua atitude de relacionamento interpessoal e sua postura pedagógica em sala de aula.

Para subsidiar sua ação docente freqüentou uma disciplina no Mestrado em Educação, espaço que encontrou outros professores universitários que estavam também refletindo e buscando alternativas para suas práticas pedagógicas. O acesso à leitura, às discussões com seus pares e, especialmente, a assessoria dos pesquisadores permitiu ao professor reconstruir sua ação docente. A sua nova proposição metodológica enfatizou a aprendizagem colaborativa, propiciando aos alunos espaços para problematizar, dialogar, pesquisar, elaborar e produzir conhecimento individual e coletivo.

Outro fator determinante para subsidiar sua ação docente foi a inserção de recursos tecnológicos que auxiliaram os alunos na aprendizagem. Destacou que o site da disciplina na internet permitiu a colocação da programação e do contrato didático especificando a ementa, a problematização, as aptidões a serem desenvolvidas, os temas a serem abordados, a metodologia proposta para cada encontro, a indicação da bibliografia e os critérios de avaliação cumulativa e processual. O acesso a esta organização didática permitiu a discussão da proposta com os alunos.

Relatou ainda que a abordagem metodológica contemplou algumas atividades didáticas que exigiam a entrada no Ambiente Eureka (ambiente que permitia fórum e correio eletrônico) propiciando o diálogo via on-line com os colegas e com o professor. A inserção nesse processo foi lenta e gradual, mas pode-se afirmar que foram superadas as problemáticas iniciais, tais como a falta de conhecimento para lidar com computadores, a dificuldade de acesso a Internet e a limitação na composição de mensagens eletrônicas.

As entrevistas com o docente sobre o desenvolvimento da nova proposta foram filmadas e transcritas. Destaca-se alguns depoimentos relevantes apresentados pelo professor referentes à primeira etapa nos Estudos 1 e 2. Veja a Tabela 2

As contribuições dos Alunos

As sessões de “focus group” realizadas, permitiram o diálogo franco e aberto entre os alunos e os pesquisadores. O professor preferiu não participar para dar liberdade para os alunos colocarem as reais necessidades e impressões. Esses encontros permitiram coletar as informações dos sujeitos que foram registradas em vídeo e transcritas, denotando os aspectos emocionais, as expressões, as manifestações positivas e negativas sobre o processo (Veja no CD-ROM os depoimentos nos filmes digitalizados na sessão: Depoimento dos Alunos envolvidos na pesquisa). A partir das filmagens os pesquisadores dialogavam com o professor para encontrar possíveis soluções para as problemáticas levantadas.

Pode-se observar que os alunos desacostumados com uma metodologia inovadora, inicialmente, resistiam para mudar suas posturas e envolvimento em sala de aula. Com o decorrer do processo os alunos passaram a se envolver e a acreditar que pesquisar e aprender a aprender levava a uma aprendizagem mais efetiva. Enfatiza-se que com o decorrer do processo perceberam que as atitudes de colaboração e entre ajuda, tanto no contato pessoal como pela rede informatizada, foram fundamentais para obter sucesso na aprendizagem. Do grupo de 21 alunos envolvidos em 1999, que freqüentavam a disciplina como dependência, todos obtiveram aprovação. Cabe salientar que essa disciplina “Resistências dos Materiais” no curso de Arquitetura e Urbanismo da PUCPR denominada como “Sistemas Estruturais” apresenta um alto grau de dificuldade e incorre em níveis elevados de reprovação. Fato que se estende a outras faculdades e universidades.

No ano 2000, a proposta aplicada na turma regular permitiu envolver 125 alunos, dos quais 113 foram aprovados, apresentando um índice de 9,6% de reprovação, fato que não é comum nesta disciplina.  Nos últimos anos a média de reprovação na disciplina de Sistemas Estruturais no Curso de Arquitetura e Urbanismo havia sido de aproximadamente 24%. Dentre os fatores que contribuíram para que 12 alunos ficassem para dependência foram: dificuldade para absorção do conteúdo; falta de interesse na disciplina; dificuldade de adaptação à nova metodologia; dificuldade de adaptação à universidade após transferência, (i.e., 2 dos alunos matriculados vieram de outras instituições de ensino superior), a limitação de alguns alunos em trabalharem coletivamente e a superação da competitividade instalada na formação dos alunos envolvidos. Fator marcante, na fase inicial, foi quando os alunos tiveram que superar o paradigma conservador, pois as expectativas dos alunos eram de que a ação docente do professor ficasse restrita a aulas teóricas. Ao serem desafiados no envolvimento do novo processo pedagógico, um pequeno número de alunos chegou a ter problemas de relacionamento com os colegas e com o professor.

Aponta-se a seguir, fatores desafiadores iniciais que foram atenuados na primeira etapa da pesquisa e precisam ser transpostos no decorrer da próxima etapa. Alguns fatores apontados para serem superados dependem dos pesquisadores, do professor e na sua grande maioria dos alunos:

- Alguns alunos ainda não se apropriaram efetivamente das possibilidades ofertadas pelo Ambiente Eureka, e não utilizam regularmente os recursos de conversar via on-line com o professor e com seus pares.

- No inicio do processo o professor precisa preparar alguns alunos que não utilizavam o computador ou não sabiam acessar o correio eletrônico.

- Muitos alunos não tinham computador em casa ou não tinham acesso a Internet (provedor), para tanto, tiveram que freqüentar os laboratórios da PUCPR para desenvolver as atividades propostas.

- Poucos alunos não realizaram as atividades individuais com responsabilidade prejudicando o trabalho coletivo. Este fato criava situações de atrito entre os alunos e foi intermediado pelo professor com algum sucesso.

- Alunos habituados a copiar e a decorar os conteúdos tiveram dificuldades iniciais de realinhar sua postura passiva no processo de aprendizagem.

- A aprendizagem colaborativa demandava superar atitudes de competitividade estimuladas nas abordagens conservadoras. Alguns alunos demoraram a perceber que se todos se ajudassem teriam maior qualidade e sucesso nas atividades avaliativas propostas. Essas atitudes voltaram aparecer no decorrer do processo, mas foram bastante atenuadas até o final desta proposta.

Do universo levantado, destacam-se os seguintes depoimentos filmados e que foram digitalizados (favor acessar o CD-ROM para assistir aos vídeos).